segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Romance de uma conspiração

Amor em tempos de guerra

Mais do que uma intriga política, a estreia na ficção do jornalista João Paulo Guerra é uma história de amor. De um filho por um pai e de um homem por uma mulher. O filho e o homem são um e a mesma pessoa: Pedro Costa, segundo-tenente da Marinha, personagem principal de um romance baseado em factos verídicos que o autor mistura sabiamente com personagens ficcionadas. “Romance de uma conspiração” é também a história de um homem solidário, marcado pela tragédia de, ainda criança, ter assistido ao assassínio do pai num longínquo 1º de Maio de 1964. Da sua vida faz parte a investigação sobre a teia conspirativa internacional, que envolvia o governo português e governos estrangeiros, no «recrutamento e treino de mercenários para operações de sabotagem, atentados e guerra de guerrilhas».
E faz parte a açoriana Telma, «o amor da sua vida», de quem se viu obrigado a afastar-se. Mas também a redenção, que chegou em 1990, num palacete decrépito de La Valetta, em Malta, onde finalmente ficou frente a frente com o responsável pelo assassínio do pai. A reconciliação consigo e com as suas memórias permitiu-lhe, finalmente, voltar para quem um dia lhe disse: «Nunca mais irás sentir-te só (…) Mas esse é o meu final.
Ana Paula Gouveia, Os Meus Livros, Outubro 2010 

Ficção documentada

Este belíssimo volume, agora editado, devolve-nos o prosador admirável e atento vigilante da causa política e social. Trata, o livro, de uma sinistra ocorrência, de que o autor foi testemunha involuntária, no Portugal, mais propriamente na Lisboa da década de sessenta. E a recuperação desse tempo infausto, a que ele procede, com minúcia e inteligência crítica, lembra as sequências de um filme policial, ao mesmo tempo que nos concita a reflectir. “Romance de uma conspiração” serve-se de todos os materiais comuns a quem deseja assinalar um tempo e as suas misérias. Documento-ficção, ou ficção documentada, pelas suas páginas desfilam cenas, casos, acontecimentos e pessoas que também nos pertencem. “Romance de uma conspiração” não tem nada a ver com as aldrabices “literárias” que por aí circulam.
Dilecto: leia este texto e surpreenda-se com a estreia na literatura de um nome maior da nossa cultura jornalística.
Baptista-Bastos, Jornal de Negócios, 24 Setembro 2010

Já tenho o livro, que li de um fôlego. Apaixonante e notável livro em que a História e a Ficção se entrelaçam com um sabor muito especial.
Um cordial abraço
L.C.C.
 (Um pequeno apontamento, entretanto: 
não foi o Director Silva Pais quem tomou a iniciativa de retirar os retratos, mas creio que fui eu ao perguntar-lhe, na sequência dos protestos de adesão ao golpe de estado, porque estavam então tais fotos ainda na parede ...)


O livro está bem "travejado" e o personagem central, quem sabe, até pode aventurar-se noutras histórias, pois tem "espessura". J.G.M. 


Romance de uma Conspiração é mais do que um grande romance - é uma viagem pela História, pelas suas sombras, os seus enigmas. De onde se sai em deleite pelo que se leu, em choque pelo que se revela na ficção da realidade. 
António Simões, A Bola, 21-09-2010


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