Estou
a olhar as tuas velhas fotografias, mãe, e parece que estou a ouvir-te. Tinhas
uma voz fresca, timbrada e bem colocada, com a qual em pequeno me embalavas
cantando fados dolentes e, mais crescido, me ensinavas a dizer poemas. A
questão é que me pediram que falasse de ti e eu vim visitar a memória ao
álbum das recordações a preto e branco.
Na belíssima fotografia na
relva do Gandarinha, em Cascais, nos anos 40, a mãe ao meio, a Maria do Céu e
eu, um de cada lado, parecemos um cartaz de um filme sobre a felicidade: Mãe e
filhos encontram-se bem.
A mãe cuidava de embalar as nossas pequenas vidas com belas histórias, poesia, cantigas e disparates só nossos que criavam a nossa intimidade e nos faziam rir até às lágrimas. E foi assim, guiados pela sua voz, que nós demos os primeiros passos na vida, num mundo com alguma fantasia, muita imaginação, um certo delírio. Um pequeno mundo fechado, protegido, sem grandes contactos com o exterior, enquanto isso foi possível. Um mundo no qual a mãe, Maria Carlota, andava uns bons anos à frente das mentalidades da época. Era uma mulher livre e independente numa sociedade tacanha e preconceituosa.
A mãe cuidava de embalar as nossas pequenas vidas com belas histórias, poesia, cantigas e disparates só nossos que criavam a nossa intimidade e nos faziam rir até às lágrimas. E foi assim, guiados pela sua voz, que nós demos os primeiros passos na vida, num mundo com alguma fantasia, muita imaginação, um certo delírio. Um pequeno mundo fechado, protegido, sem grandes contactos com o exterior, enquanto isso foi possível. Um mundo no qual a mãe, Maria Carlota, andava uns bons anos à frente das mentalidades da época. Era uma mulher livre e independente numa sociedade tacanha e preconceituosa.
Também era uma mãe divorciada
e uma mulher sozinha, estigma que sugeria todos os olhares turvos do tempo e do
lugar. E até fumava, calcule-se. E andava a cavalo, imagine-se. Uma vez por
outra foi buscar-me à escola a cavalo e lá vim eu, à garupa do Caranguejo. O
máximo!
Os que falavam era por inveja.
Vivíamos com os avós
maternos numa pequena quinta em Cascais que o avô João Guerra, de Monção, transformara numa
casa à moda do Minho, com vinhas e latadas. A avó Carlota, ribatejana, tratava da casa
e cozinhava que era um regalo. Eu mais a minha irmã, Maria do Céu, crescíamos em contacto com
a terra. A mãe jardinava e ensinava-nos os segredos da jardinagem. O avô,
farmacêutico reconvertido em industrial da pesca, matava saudades cultivando a
terra, por desfastio. E, uma vez por ano, uma junta de bois lavrava a terra
para semear o milho suficiente para alimentar, durante um ano, uma enorme
capoeira de galinhas. A recolha dos ovos, por entre o matagal da capoeira, era
atribuição minha e da Maria do Céu: «Embora ver se há ovos?». E lá íamos: Bora!
A mãe era muito jovem e nós,
crescendo, fomo-nos aproximando da sua idade. Verdade. Houve muitas fases da
vida em que tínhamos amigos comuns, uma trupe de gente gira com a qual estava
sempre a acontecer alguma coisa, alguém estava de chegada ou ia alguém partir para
qualquer lado, estava sempre alguém a passar por dentro de qualquer
acontecimento. Nós vivíamos num mundo um tanto sobressaído dos livros, envolvidos
por leituras em família, mas também um pouco como personagens de uma ficção que
recreávamos. A cultura dominante era portuguesa. Mas sobre a cultura
portuguesa, nesses tempos, reinava a cultura francesa. Na telefonia ouvíamos
fados, canções portuguesas e francesas que a mãe trauteava, até que chegou o rock and roll, na bagagem dos primos que voltaram da América. Quando o
gira-discos entrou lá em casa era já a idade do rock.
A mãe lia e traduzia-nos em directo Jacques Prévert. Ainda tenho uma edição de Paroles que havia lá em casa. É da Gallimard, 1949. Mas tínhamos um livro especial à cabeceira das nossas vidas. Intitulava-se “Histórias de Dona Redonda e da Sua Gente”, de Virgínia de Castro e Almeida. De alguma maneira o nosso mundo confundia-se com o imaginário delirante das personagens e enredos de Dona Redonda, a Zipriti, o Bu, a Dona Maluka, a Dona Catapulta, no cenário da Charneca e na estalagem do Monte do Toutiço.
A mãe lia e traduzia-nos em directo Jacques Prévert. Ainda tenho uma edição de Paroles que havia lá em casa. É da Gallimard, 1949. Mas tínhamos um livro especial à cabeceira das nossas vidas. Intitulava-se “Histórias de Dona Redonda e da Sua Gente”, de Virgínia de Castro e Almeida. De alguma maneira o nosso mundo confundia-se com o imaginário delirante das personagens e enredos de Dona Redonda, a Zipriti, o Bu, a Dona Maluka, a Dona Catapulta, no cenário da Charneca e na estalagem do Monte do Toutiço.
A trupe de amigos era
constituída à semelhança da mãe, sempre também a fazer alguma coisa para além
do seu trabalho. Escrevia poemas e histórias, coreografou um bailado, encenou
sucessivas peças representadas entre amigos. Eu entrava numa dessas peças, com
uns bigodes postiços e respondia à deixa «Vai chover», com uma tirada
sentenciosa: «Que chova. Valha-nos o tempo com a sua coerência, já que os
homens não querem saber da coerência para nada». Era no tempo em que o tempo queria
saber da coerência. Eu teria uns 13 anos. A minha irmã, Maria do Céu Guerra,
disse mais tarde numa entrevista que o actor da família era eu. Ora, ora.
A vida despreocupada que
vivíamos era um tanto de ficção. Uma noite, quando pensavam que eu já dormia, a
mãe e a avó cochichavam sobre dificuldades de dinheiro. O negócio de pescas do
avô estava em vias de ser engolido pela frota dos tubarões do almirante
Tenreiro. O avô ia vender o único barco que não tinha sido levado por hipotecas - ou por naufrágios, como aconteceu em 1947 com o belo lugre à vela de três mastros, o "Maria Carlota" - e comprar um pequeno prédio de rendimento.
comandante de um dos navios que o socorreram
Mas era também hora da mãe
trocar o lugar de regente escolar por algo mais efectivo e rentável. E
havia um horizonte: a mãe tinha respondido a um anúncio que pedia uma redactora
para uma revista feminina com lançamento à vista. Foi assim que nasceu a
Crónica Feminina, em Novembro de 1956, com Milai Bensabat como directora e
Maria Carlota Álvares da Guerra como chefe de redacção. E ao nosso imaginário
de crianças acrescentaram-se então histórias, casos e segredos, ocupações e
trabalhos, consultórios diversos, que diziam alguma coisa às mulheres, fossem elas
princesas, donas de casa, trabalhadoras.
Chevalier e Maria Carlota |
Guiados pela educação que a
mãe nos dera, a Maria do Céu escreveu um livro de poemas – “São Mortas as
Flores”, Editorial Organizações, Lisboa 1963 - depois foi para o teatro, na Faculdades de Letras, na Casa
da Comédia, no Teatro Experimental de Cascais. Eu fui para a rádio, depois para
os jornais, depois para a rádio, depois para os jornais, etc. Comecei, ainda
estudante universitário, com uma actividade pré-profissional na Rádio
Renascença e, de algum modo, pela mão da mãe. A Maria Carlota, do trabalho na
Crónica e da passagem pelas crónicas na rádio, conhecera o Dinis de Abreu, estagiário do
Diário Popular a quem fora confiado o projecto de produzir e realizar um
programa de rádio, para jovens, nas tardes de sábado na Rádio Renascença. Uma
espécie de “Salut les Copains”, então em voga na rádio francesa. O projecto
intitulou-se “Nova Vaga” e juntou os jovens Maria do Céu Guerra e João Mota, a
falarem de teatro, Lauro António, a falar de cinema, Fernando Correia, a falar
de desporto, eu a falar de música, Daniel Ricardo e Dinis de Abreu a falarem de
tudo um pouco, todos em directo para o gravador do José Manuel Moreno Pinto.
![]() |
Amália, Maria Carlota, Greco |
De maneira que a Maria
Carlota, para além de mãe, uma amiga e uma irmã mais velha, passou também a ser
camarada de profissão. O projecto do programa “Nova Vaga” não durou muito. Mas
no final o Joaquim Pedro convidou-me para estagiar como locutor na RR. E ao fim
de um ano de estágio na RR fui convidado pelo Luís Filipe Costa, via Matos
Maia, para integrar a equipa do Serviço de Noticiários do Rádio Clube
Português. Fui a correr. Na rádio não cheguei a ser contemporâneo da minha mãe
que, entretanto, voltara à Crónica Feminina. Mas tivemos colegas e ficámos com
amigos comuns.
Há
uma foto tua, mãe, ainda a preto e branco, com gente da rádio, num almoço em
Porto Alto. Estás tu, elegantíssima, entre o Cândido Mota, imberbe, e o João
Martins. E com a tua letra está escrito no verso: O Trio Admira!
Irónica sempre e polemista
terrível, era assim a Maria Carlota. Uma vez a Vera Lagoa – que nutria pela
minha mãe um ódio de estimação amplamente retribuído – atreveu-se a meter-se
com ela numa crítica no Diário Popular, zurzindo uma crónica da rádio. Maria
Armanda Falcão, o nome real de Vera Lagoa, tinha-se separado recentemente de
José Tengarrinha e, na resposta à crítica venenosa no Diário Popular, a Maria
Carlota escreveu, ainda com mais veneno, qualquer coisa como isto: “Para que
você me atingisse precisaria de ter garra. E você já nem sequer tem garrinha».
A Maria Carlota trabalhou em
dois períodos na Crónica Feminina e, pelo meio, escreveu crónicas e programas para
a rádio, transmitidos na Renascença, primeiro, depois no RCP. Quanto à Crónica
Feminina acabou mal. Quando a mãe regressou, dos patrões iniciais, homens
sérios e empreendedores, Mário de Aguiar e António Dias, um falecera e outro
passara o negócio. Quando a Agência Portuguesa de Revistas alegadamente faliu,
a minha mãe viu-se no desemprego sem um centavo de indemnização. E a Maria
Carlota acabou a vida profissional a fazer alguns biscates para jornais e
revistas e traduções, muito mal remuneradas, embora premiadas algumas delas, e
depois a receber uma pensão baixíssima. E ainda teve que pagar os descontos que, na sua segunda passagem pela Agência Portuguesa de
Revistas, tinham ficado pelo caminho entre a empresa e a Caixa dos Jornalistas.
Eu estive dez anos no RCP,
contando dois anos e meio no serviço militar. Na tropa, tinha já concluído o
Curso de Oficiais Milicianos em Mafra quando a minha mãe teve uma conversa
muito séria comigo. Perguntou-me se eu queria deixar o País para não ir à
guerra, dizendo-me que compreenderia e me apoiaria na medida do possível. A
questão que me pôs não era de objecção de consciência mas de medo e
sobrevivência. Disse-lhe que não, que a minha vida era aqui.
E assim, numa manhã de Julho de 1965, a mãe foi ao Cais da Rocha despedir-se de mim à partida do barco para Moçambique e a última imagem que vi no cais, já da amurada no paquete, foi a mãe a amparar a minha irmã que desfalecia de comoção. Enquanto estive em Moçambique, morreu o meu avô, João Guerra, pai da minha mãe, menos de um mês depois nasceu-lhe o primeiro neto, o Paulo, meu filho mais velho. E após a morte da Calhó, a Maria do Céu encontrou num armário da casa materna, dentro de uma gaveta, atadas com uma fita e um laço, todas as cartas que eu escrevi à mãe, desde a primeira escala na viagem para Moçambique até ao anúncio do embarque de regresso a casa:
- "A mãe diz-me que o Paulinho já anda ...
... mas aqui o tempo não passa..."
Pela parte dos avós maternos
a família era de formação muito conservadora. A avó Carlota era uma herdeira
arruinada de uma família de proprietários rurais de Salvaterra de Magos, alguns
dos quais regressados ricos da emigração no Brasil. Era uma senhora pequenina e
redonda, muito terna, que dizia ingenuidades deste género: «O racismo é uma
coisa horrível. Eles não têm culpa nenhuma de serem pretos». O avô era
situacionista, presidente do Grémio dos Armadores de Pesca do Bacalhau. A única conversa
que o avô teve connosco sobre política foi para desabafar que as eleições do
regime eram uma grande maçada: ele tinha que votar em Cascais, onde residia, em
Lisboa, onde era a sede do Grémio, e na outra banda, onde os barcos
descarregavam e punham a secar o pescado. A mãe detestava o carácter repressivo do regime, a
tacanhez, o obscurantismo. Mas não falava explicitamente de política. No
entanto, nunca se opôs, quando crescemos, a que tivéssemos as nossas ideias e
opções associativas, culturais, políticas e agíssemos em consequência.
![]() |
Chalé Brito: o casarão de São João do Estoril |
Ao longo da vida, por
contingências diversas, nem sempre mantivemos uma relação de muita proximidade.
A vida trouxe-nos, a mim e à Maria do Céu, para Lisboa e a Calhó - como a minha irmã e eu sempre lhe
chamámos desde pequenos - viveu em S. João do Estoril, num casarão de três
andares onde sonhou juntar filhos e netos. Mas o projecto de condomínio familiar
do início dos anos 70 fracassou rapidamente. E a Calhó lá ficou no imenso
casarão, onde os netos passavam alguns períodos de férias, a dois passos da praia da Azarujinha, vivendo episódios que ainda hoje recordam no meio da maior galhofa.
Eu e a Maria do Céu, com as nossas vidas, aparecíamos de vez em quando. Era
sempre um poiso para voltar a juntar amigos e família.
A mãe ainda viveu mais uma
vez em Cascais, que adoptara como sua terra, com os seus cães e gatos, ia e
vinha sozinha de comboio, até que a convencemos a vir para mais perto de nós. Veio
viver para a Graça e creio que foi o início do seu fim. Mas com efeito voltámos
a ver-nos com mais frequência, fazíamos grandes almoços de família no pequeno
quintal da sua casa, conversávamos sobre o trabalho nos jornais nos dias de
hoje. Eu explicava-lhe o circuito tecnológico das notícias, reportagens e
crónicas, da fonte ao papel impresso, como ela me ensinara a maquetar a página
de uma revista, quando o fazia de olhos fechados na Crónica Feminina. Quando o
jornal em que eu trabalhava me mandou para Timor, em 1999, a Clara, minha
mulher, teve grande cuidado em lhe ocultar a situação. Mas poucos dias depois,
passando num quiosque ao pé de casa, ela leu na primeira página do Diário
Económico: «Díli, do nosso enviado, João Paulo Guerra». E comentou mais tarde:
«Malandro, não me disseste nada».
Mesmo quando aposentada não reformou
o seu dinamismo, entusiasmo, determinação e necessidade de fazer coisas. Traduzia livros
para a Bertrand e peças de teatro para A Barraca, andava sempre a imaginar
projectos e a propor ideias. E pouco depois de ser forçada a parar – após a
fatal fractura do colo do fémur que ataca as mulheres de idade – recuperou
corajosamente, depois foi-se abaixo, andou entre a minha casa e mais pela casa
da Céu e um domingo de Setembro de 2002 morreu.
Encontro muitas vezes a
minha mãe, muitos anos após a sua morte. É em conversa com amigos comuns que,
passados todos estes anos, me falam dela como a minha memória acha que ela bem
merece. «A Maria Carlota? Uma mulher de armas», diz o Armando Baptista-Bastos. O
José Luís Gordo rima ternura e saudade quando fala da primeira entrevista que
deu, ele e Maria da Fé, e foi à Maria Carlota, para a Crónica Feminina. Linda é
a história que conta o escultor Francisco Simões. Enquanto professora primária,
antes de ser jornalista, a mãe esteve um ano lectivo colocada a dar aulas na
ortopedia pediátrica do Hospital da Parede. O Francisco Simões era o único
aluno, aprendeu, curou-se, cresceu forte, capaz de manipular as pedras onde
encontra formas belíssimas insuspeitadas, e fala da Maria Carlota com um enorme carinho.
Olho
as fotografias, a cores, dos teus últimos anos de vida, mãe. Tens perto de 80
anos, o olhar mantém a mesma vivacidade, o cabelo está todo branco, mas estás
como nova. Tens à tua volta filhos, nora, netos, bisnetos. Mexes-te bem e
estás a escrever um romance. Intitula-se “O Tempo das Maçãs” mas não chegará ao
fim. O que deverias ter escrito, era o verdadeiro romance da tua vida. Porque
agora, mãe, quem sou eu para o escrever?
Publicado no livro Jornalistas Pais e Filhos, iniciativa da Casa da Imprensa, com textos de Artur Portela (o pai Artur Portela), Bárbara Alves da Costa (o pai João Alves da Costa e o avô Aurélio Márcio), Carlos Flórido (o pai Manuel Flórido), Isabel Silva Costa (o pai Silva Costa), João Gobern (o pai Áppio Sottomayor), JPG (a mãe Maria Carlota Álvares da Guerra), José Carlos Fialho (o pai Fialho de Oliveira), José Manuel Freitas (o pai Amadeu José de Freitas), Magda Viana (o pai Rui Cunha Viana), Miguel Correia (o pai Severiano Correia), Miriam Alves e Oriana Alves (o pai Fernando Alves), Nuno Moura Brás (o pai Nuno Brás), Pedro Luís de Castro, Mário Rui de Castro e Paulo Luís de Castro (o pai Joaquim Castro), Rui Tovar (o pai Rui Tovar), Sérgio Veiga (o pai Carlos Miranda), Silva Pires (o pai Fernando Pires), Sofia Rato (o pai Afonso Rato) e Victor Serpa (o pai Homero Serpa).
14 comentários:
(…) As recordações que me assaltaram, os momentos que revivi e, sobretudo, as memórias da tua mãe, personagem inesquecível com quem tive o privilégio de conviver - não tanto como gostaria mas o suficiente para guardar dela uma lembrança perene - são difíceis de enumerar. A fogosidade na luta, a capacidade de trabalho, a facilidade com que produzia prosa e enchia números inteiros das publicações em que colaborou, o sentido de humor acerado, cáustico, quase desbocado, o desassombro das opiniões, a originalidade das ideias, tudo fazia com que destacasse numa sociedade maioritariamente cinzenta e acomodatícia.
(…) É na nossa recordação que permanece a Maria Carlota. Assim tenhamos nós quem nos projecte para essa única forma de imortalidade que é sermos citados, de vez em quando e com ternura, pelos que recebem o testemunho desta corrida sem meta à vista...
Cândido Mota
Em boa hora vim aqui e li este belíssimo texto sobre a tua mãe. Que saudades tive dela! Lembro-me de uma viagem com ela, a Céu e o Changuito ao Brasil, a casa de S. João do Estoril, onde passei um Natal e uma das últimas vezes, em que cúmplices, fomos as duas ao velório da Amália Rodrigues.
Beijos muitos
Irene
Que texto lindo! A homenagem que faz à sua mãe é deveras marcante. Cabe aos grandes espíritos, deixarem recordações e memórias em nós, da grandeza dos seus feitos.
Que saudades meu tio, e que infância parecida tivemos. Minha querida Avó mais que mãe, que me ensinou tudo o que fez de mim pessoa. Amor sem fim é eterna saudade ganham sentido quando penso na Calhó/Babá.
Grande e cultíssima Senhora... boa amiga, saudades!
que maravilha. Adorei o relato. Em miúda lia a crónica feminina e só hoje percebi que a Maria Carlota era a mãe da Maria do Céu Guerra. Admirava-a, agora ainda mais. E sua. E Parabéns pelo prémio acabadinho de receber da Maria do Céu.
Que texto bom.
Cheguei aqui na sequência da leitura de um estudo sobre a Agência Portuguesa de Revistas, de João Manuel Mimoso , um estudo muito interessante e bem documentado.
Que belo texto, adorei ler! O meu pai, Mário Clemente, falecido em 2004, trabalhou com sua mãe na Agência Portuguesa de Revistas tanto na Crónica como na Plateia. Para o meu pai era um hobby, ele era Regente Agrícola, mas sempre teve trabalhos paralelos, e o mundo do espetáculo sempre o fascinou! Eu acompanhava-o às vezes, e numa dessas vezes a sua mãe achou-me parecida com a sua irmã, por causa do cabelo claro todo aos caracóis! O que é verdade é que nunca mais me esqueci dela, nem das histórias que o meu pai contava sobre a Crónica Feminina que cobria todas as despesas da APR até os flops de outras revistas, e como a sua mãe geria tudo duma forma impecável. O meu pai admirava-a muito! Eu tinha uns 13 anos, na altura, agora 63, passaram-se 50 anos, não sei para onde foram (?) 😊 mas revejo-me na sua história e em com vivíamos naquela época, a minha família não era muito diferente, ribatejanos tb a viver em Lisboa! Bem haja!
Estranho nao ter mencionado a presença de um primo direito, Sergio Alvares da Guerra, que nos anos 40 conviveu em Cascais com a familia do meu tio Joao irmao do meu Pai.Anos depois, a partir dos anos 75, tendo regressado a Portugal, assim como nos anos 80, regressando do Brasil onde vivi 10 anos continuei a conviver com a familia da minha prima Maria Carlota.
Que texto bonito...sou neta da Prima Maria Luisa Correa Mendes Freire Themudo da Costa Macedo...a minha Avó gostava muito e tinha muito orgulho da prima Carlota, sempre me disse que era uma mulher muito culta e avançada para a sua época. Ainda tenho alguns livros que traduziu e ofereceu com dedicatórias à minha avó que os lia com gosto redobrado.
Lembro bem as duas à conversa e a tomar chá em casa dos meus avós na Cruz Quebrada...Que saudades das duas!
um beijinho
Catarina Costa Macedo
João Paulo Guerra, eu conheci muito bem a mãe. Primeiro morei em Cascais, próximo da Rua Monte Carmo, onde a mãe morava numa casa junto à Qtª dos Posser de Andrade. Depois lembro também da casa onde morou junto à Cidadela. Conheci-o muito bem pois somos da mesma idade práticamente,80 anos. Tenho ideia que o João andou no colégio João de Deus, foi ? Voltando à mãe, eu ultimamente morava junto à sua residência, sita na Rua da Escola em Alvide, casa que está abandonada neste momento. Havia um restaurante em frente, o Jorge Policia, que já não existe, onde eu, a minha mulher e a mãe muitas vezes, conversávamos sobre Cascais de tempos idos. Gostava muito dela, sempre com a voz aberta e dizendo o que tinha de ser dito.
Um abraço de Rogério Cardoso
Meu caro
Confirmo que andei no colégio João de Deus, depois nos Salesianos, Colégio Portugal na Parede, Liceu de Oeiras. Minha mãe residiu em Cascais, em S João do Estoril e em Alvide e nos últimos anos de vida em Lisboa, na Graça. Por todos os dados que indica é bem possível que nos conheçamos.
Párabens pelo texto, principalmente pelo legado, é apaixonante a forma como descreve a sua Mãe: tão bom de ler!
Que bom que seria escrever a biografia da sua Mãe, mesmo que pensando"Quem sou eu para escrever a biografia....?"
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