sábado, 28 de abril de 2018

Timor-Leste 1999: VIAGEM AO FIM DO IMPÉRIO



Reportagem
 João Paulo Guerra, Setembro e Outubro, 1999, 
Diário Económico 

Uma coluna de fumo indica a direcção do centro da cidade.
«São os armazéns da Intendência» – diz-me, no caminho entre o aeroporto de Comoro e o centro de Díli, Francisco Leão, antigo corneteiro do Exército português, noutros tempos camarada de outras armas do furriel José Ramos-Horta e do 1º cabo Xanana Gusmão. E esclarece que os indonésios pegam fogo a cada edifício que abandonam na administração de Timor-Leste.
«Ontem durante o dia ardeu a sede do Departamento de Educação. À noite começaram a arder os armazéns da antiga Intendência, mesmo ao lado do Palácio do Governo», acrescenta. 


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Era uma vez um miúdo num país a arder

Apresentação do livro de MIGUEL CARVALHO "QUANDO PORTUGAL ARDEU - Histórias e Segredos da Violência Política no pós-25 de Abril",  bar do Cinearte, A BARRACA, Lisboa 12 ABRIL 2017


Era uma vez um miúdo que tinha quatro para cinco anos no Verão Quente de 1975;
Fez 5 anos no dia 25 de Novembro de 1975 e nesse dia, para celebrar o aniversário do pequeno Miguel, a televisão passou um filme cómico com Danny Kaye.
A TV portuguesa não passava filmes cómicos desde o dia 12 desse mês de Novembro de 1975; nessa data, um almirante sem papas nem tento na língua rompera um cerco a São Bento disparando uma salva de impropérios.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Faz de conta que é a mina

Reportagem de João Paulo Guerra, TSF, sonorização de Paulo Castanheiro, no original áudio,
9 de Julho de 1993.
Fotos de António Cruz, datadas de 2012, cedidas pelo autor para ilustrar a transcrição da reportagem radiofónica


O quadro fixa um tempo e um lugar parados no tempo, à esquina dos anos 60 para a década de 70. Freguesia do Barco, local da Recheira, perto da nascente do Zézere, à boca das minas.
- Apolinária Fernandes: Lá está o marteleiro a furar, não é? Faz de conta que é a mina. O do outro lado está com a escada, que era o ajudante, e aqui estes, faz de conta que são os senhores engenheiros. E por cima lá estão os passarinhos, os coelhos, as árvores…

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Salgueiro Maia: "Implicado" no 25 de Abril



          O capitão Salgueiro Maia tinha 29 anos e todas as ilusões da sua geração quando, em 25 de Abril de 1974, veio de Santarém a Lisboa à frente de 240 homens numa coluna de 10 carros de combate. Em cerca de 12 horas derrubou um regime de 48 anos. Fez o que tinha a fazer e regressou á Escola Prática de Cavalaria.
       Licenciado em Ciências Sociais e Políticas e em Antropologia, Fernando José Salgueiro Maia, 47 anos [em 1992], tenente-coronel de Cavalaria, comanda o Grupo de Comando e Serviços da Escola Prática de Santarém e dirige o Museu da Cavalaria. Não quis, como capitão de Abril, as estrelas da Revolução, tal como não quer a baixa ao Hospital Militar que a doença grave de que padece justificaria. Mantém-se no activo e não se queixa por si mesmo, mas por toda uma geração de “implicados no 25 de Abril”.

Texto João Paulo Guerra, Fotos de Luís Silva, para a agência CNTV,

entrevista editada no Público e TSF, em 17 de Janeiro de 1992.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

A clara idade assombrada da poesia de Cabo Verde

João Paulo Guerra, TSF,
9 de Janeiro de 1991, Cidade da Praia

Oswaldo Osório
Inesperadamente, calou-se a algazarra da campanha eleitoral na Cidade da Praia, para ouvir a voz de um poeta. A homenagem ao poeta Oswaldo Osório marcou a abertura de um centro cultural que procura ser um ponto de encontro para os escritores cabo-verdianos.
Oswaldo Osório – pseudónimo literário de Osvaldo Alcântara Medina Custódio – nasceu na cidade do Mindelo, Ilha de São Vicente, em 25 de Novembro de 1937. Clar(a)idade Assombrada, publicada em 1987,  é o seu terceiro e mais recente volume de poesia, sucedendo a Caboverdeanamente Construção Meu Amor (1975), Cântico do habitante. Precedido de Duas Gestas (1977).
A poesia de Oswaldo Osório saiu impressa com a liberdade. Anteriormente, o poeta estivera preso duas vezes por razões políticas.

JPG - Ouvi-o referir-se, na homenagem que aqui lhe foi prestada, à língua cabo-verdiana. O que é a língua cabo-verdiana e o que é Cabo Verde em termos literários ao cabo de dezasseis anos de independência?
Oswaldo Osório – A língua cabo-verdiana é a nossa língua materna. E a língua portuguesa, sem ser para nós uma língua estrangeira, é uma língua segunda, mas é também a língua oficial. A língua cabo-verdiana tem passado por vários tratamentos de natureza linguística de modo a torná-la mais plástica na literatura escrita. E tem sido feito um grande esforço no sentido da modernização da língua, estabelecimento de regras, etc., que certos jovens, como por exemplo Tomé Varela, têm vindo a investigar no campo da oralidade e escrevendo totalmente em língua cabo-verdiana.

António Macedo: Quero estar outra vez feliz na rádio


Estou muito descontente com a rádio que estou a fazer, com a forma como a rádio está a ser feita, com tudo aquilo que me rodeia (...) Quero estar outra vez feliz na rádio

António Macedo

Por João Paulo Guerra 
Entrevista editada em 15 de Outubro de 2016, data da homenagem a António Macedo, promovida pelo 
1º Acto – Clube de Teatro e Intervalo – Grupo de Teatro.

"A voz da rádio tem uma personalidade amiga e íntima, como a de um velho camarada de confiança"
Erskine Caldwell, Vagueando pela América, Editora Ulisseia 1963

"A rádio tem uma distinta personalidade humana, devida ao seu amigável e íntimo tu cá tu lá"
 Caldwell, ob. cit.

Nome?
António José Macedo Monteiro de Oliveira.
Idade?
Sessenta a cinco anos. Sessenta e seis a 4 de
Novembro, sou de cinquenta.
Nascido onde?
Lisboa, São Sebastião da Pedreira, Maternidade Alfredo da Costa.
E onde residiam os teus pais?
Na Rua do Salitre, 55, 4º Direito, onde vivi os primeiros anos de vida.

sábado, 14 de abril de 2018

Cores felizes na paleta de Malangatana


Por João Paulo Guerra,
TSF, Outubro 1994

Moçambique está em Festa, uma festa com muitas cores. Nesta quadra de eleições multipartidárias, Moçambique está multicolor.
Estou na cidade de Maputo, no Bairro do Aeroporto, no atelier do pintor Malangatana Valente Ngwenya, moçambicano, 58 anos, um artista do mundo e da paz. Este homem que esteve preso três vezes pelo regime colonial, uma das quais por motivo de um quadro que pintou, o quadro “25 de Setembro”, a data do início, em 1964, da luta armada pela libertação, e que depois da independência do seu país esteve de novo detido, dessa vez num campo de reeducação, como castigo pelo seu comportamento na época colonial, este homem está também em Festa, agora que Moçambique tem eleições multicolores.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Wiriamu passados que foram vinte anos

Por João Paulo Guerra,
com Manuel Vilas Boas e Fernando Alves
TSF, 16 de Dezembro de 1992

Houve um grupo de soldados que chegou lá na aldeia, juntou a gente e depois fuzilou toda a gente, por fim pôs capim em cima dos corpos e pôs fogo. E alguns que recuperaram os sentidos e com feridas de balas nos braços e queimaduras conseguiram fugir. Entre esses estava o António Michone, que fugiu e veio aqui para o hospital, contou o que aconteceu e curou-se.”

         Terá sido assim, há vinte anos, em Wiriamu, Tete, Moçambique.
         É pelo menos o que conta o padre Domingos Ferrão, ao tempo missionário português, nos arredores de Tete, hoje [Dezembro de 1992] moçambicano e vigário-geral da diocese. 


quinta-feira, 12 de abril de 2018

A basílica arranha-céus e a sagração dos crocodilos

O país designa-se Côte d'Ivoire e a Constituição
proíbe a tradução do nome
Costa do Marfim, pelo nosso enviado João Paulo Guerra
O Diário, 23 Dezembro 1989

Um crocodilo devora uma galinha em dois tempos rápidos: abocanha-a, tritura-a e acabou-se a galinha. Ao terceiro tempo há apenas o bolo alimentar do crocodilo, um paté de penas, carne, ossos, vísceras, amassado em cabidela.
O número da refeição dos crocodilos, servido a meio da tarde, faz parte do cartaz turístico de Yamoussoukro, capital administrativa da Costa do Marfim. A ementa consta de galinhas vivas e o espectáculo consiste na luta desigual entre uma dúzia de galinhas tontas e dezenas de vorazes e possantes sáurios. O número termina em apoteose de cacarejos aflitos, esguichos de sangue e voltear de penas. Os visitantes de Yamoussoukro veem e ouvem o espectáculo e depois, eventualmente com pena das galinhas, vão recolher-se na Basílica de Nossa Senhora da Paz, que se ergue na savana e capricha por ter uns centímetros mais que a Basílica de S. Pedro.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Os Olhos Azuis do cinema na Guiné-Bissau

Entrevista com o realizador guineense Flora Gomes.

João Paulo Guerra, TSF, 26 de Janeiro de 1991,
Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, Bissau


No regresso a Lisboa, após a reportagem de um processo político que culminou com a introdução do multipartidarismo na Guiné-Bissau, o repórter cruzou-se no aeroporto com o realizador de cinema Flora Gomes. Nascido em 1949 em Cadique, tabanca a sul de Bissau, uma das principais povoações produtoras de arroz no tempo colonial, Florentino Gomes foi levado pela guerrilha guineense para estudar em Conakry e mais tarde em Cuba. Voltou formado em cinema. Filmou os últimos anos de guerra e depois da independência começou a filmar histórias para o futuro do seu país.
Foi muito bem empregue o tempo de espera naquele dia de Janeiro de 1991, no aeroporto de Bissau.

Pergunta – Como é que um guineense chega a realizador de cinema?
Flora Gomes – Bom, no meu caso foi muito simples. Eu fui dos jovens que a guerrilha, quando passou pela minha aldeia, levou para Conakry para receberem instrução. Fiz a escola primária, a secundária e estudos pré-universitários…


segunda-feira, 9 de abril de 2018

A emoção não está prevista no manual de jornalismno

Por João Paulo Guerra, em Moçambique, O Diário, 7 de Maio de 1988


O Luís Lázaro é três anos de gente e tem um braço, o direito, com fracturas múltiplas e expostas. Nos olhos, o Luís Lázaro tem o espanto de todas as perguntas sem resposta, porque o Luís Lázaro não faz as perguntas que fazem os miúdos de três anos e porque não há respostas para as perguntas dos olhos deste miúdo de fraldas, ligaduras e aparelho de gesso. Porquê?

domingo, 8 de abril de 2018

Luiz Pacheco: Eu acho mesmo que o mundo está cada vez melhor …


Entrevista de João Paulo Guerra
TSF, 19 de Maio de 1992, 19 horas

Da autoria do escritor Luiz Pacheco sai hoje [Maio de 1992] a reedição de O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor. Um acontecimento num país que também nas letras é geralmente de brandos costumes.


O Libertino etc., foi escrito em 1961 e publicado em 1970 provocando muito escândalo. É a narrativa de um dia passado numa Braga lúbrica. E logo Braga, a cidade dos arcebispos. O próprio autor filiou a narrativa numa corrente neo-abjeccionista.
Com 67 anos de uma vida airada, Luiz Pacheco vive actualmente em Setúbal. E é de lá, em directo, que aceita conversar sobre a reedição – para a qual deu uns retoques no texto de O Libertino… –, sobre a actualidade que, seja onde for, acompanha com atenção: a reforma da PAC ou a reserva dos coronéis, o pacote Delors 2 ou o Evangelho segundo Sousa Lara, o Tratado de Maastricht ou a nova Ponte sobre o Tejo, numa conversa de ida e volta ao mundo, com partida da Europa.

Luiz Pacheco – Europa? Qual Europa?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

... FP-25 disputam share com o Papa

EM CIMA DO ACONTECIMENTO ..
Por João Paulo Guerra
10 de Maio de 1991


Naquele dia de Maio de 1991, o acontecimento era a chegada do Papa e Lisboa. E ninguém previa que pudesse acontecer alguma coisa em cima de tal acontecimento. 

       Mas aconteceu. 

O Cenáculo da Marquesa



Por João Paulo Guerra, 
Telefonia de Lisboa, Janeiro de 1987

          O tempo parou ali há muito tempo como que imobilizado num daguerreótipo antiquíssimo, amarelecido nos cantos, esbatido no centro do plano de conjunto. Mesmo assim, distingue-se o conjunto: onze figuras de cera em redor de uma mesa, todos eles voltados ligeiramente sobre o lado direito, fixando a posteridade.
Ilumina-se a cena e distinguem-se então as cores, tons de cinza e violeta, esmaiados sobre o fundo austero de uma estante de mogno onde jazem livros encadernados pelo pó, o bafio, o esquecimento. Reposteiros pesados coam os sons da vida e tornam mais íntimos os sussurros das conversas, por onde passam, em ladainha, os nomes de legiões de fantasmas, a memória de irremediavelmente perdidos tempos de grandeza, sonorizados pelo tilintar das porcelanas e das dentaduras postiças, o ronronar dos catarros. 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Coveiro de Santa Comba na paz dos cemitérios

Dois anos após a morte de Salazar, dois jornalistas, Adelino Gomes e João Paulo Guerra, passaram pelo cemitério de Santa Cruz do Vimieiro e, à conversa com o Sr. Vicente, o respectivo coveiro, ficaram a conhecer melhor a realidade de um país mergulhado na ordem e na paz dos cemitérios. A mentalidade da ditadura rural que atrasou Portugal ao longo de meio século estava ali, ao vivo, no cemitério do Vimieiro, debaixo daquelas pedras tumulares. O Sr. Vicente tinha conhecido Salazar em vida. Recordava-se dos seus passeios, sozinho entre os pinhais.

Entrevista de Adelino Gomes e João Paulo Guerra, Setembro 1972

A Censura, que por vezes andava distraída, deixou passar a entrevista que foi para o ar na Rádio Renascença, em Julho de 1972. 
Por acaso ou não, menos de um mês depois, porém, os programas da RR para os quais trabalhavam os dois jornalistas, Página Um e Tempo Zip, foram suspensos pela Secretaria de Estado da Informação.  

Entre milhafres e Açores

Por João Paulo Guerra,
o diário, 
20 de Dezembro 
de 1986

Naquele tempo, João Bosco Mota Amaral reuniu-se com os jornalistas e disse: «Este ano tive algumas derrotas. Assumo-as mas, no entanto, considero-as injustas. Foi um ano difícil».

terça-feira, 3 de abril de 2018

ANGOLA: Nos intervalos de uma reportagem de guerra


Crónicas à margem de uma reportagem na guerra em Angola

Por João Paulo Guerra, suplemento de O Diário, Junho de 1985


Kuilo-Kuango 1985
Na última semana de Abril [1985], saímos da cidade do Lubango a caminho da fronteira no Cunene, iniciando a viagem a bordo de um helicóptero Mig 15 que transportava, para além de dois jornalistas, um bidão atestado com 500 litros de gasolina. Indesejável companhia. Voávamos para sul da Cahama, Môngua e Xangongo, tínhamos passado os cenários de terríveis batalhas entre as tropas cubano-angolanas e as sul-africanas, seguíamos com destino ao que restava de Onjiva, onde talvez apanhássemos um camião para Namacunde e depois seria a pé, dali até à fronteira, em Ochikango, seguindo o trilho por entre campos de minas.

«O arcebispo de Braga absolveu-nos»

Sanches Osório,
 ex-major do MFA 
ex-dirigente  MDLP


Entrevista de João Paulo Guerra / Abril 1999

José Eduardo de Sanches Osório era major de Engenharia em 1974 e fez parte do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, no quartel da Pontinha, na madrugada de 25 de Abril. De formação monárquica e católica e pertencendo à casta dos oficiais do Corpo de Estado-Maior, Sanches Osório aderiu ao Movimento dos Capitães em 1973 para derrubar Marcelo Caetano. Ministro da Comunicação Social no II Governo Provisório, o primeiro de Vasco Gonçalves, entrou em ruptura com a revolução por alturas do 28 de Setembro. E na sequência do 11 de Março foi expulso do Exército e deixou o país clandestinamente para fugir a um mandado de captura. No exílio participou na fundação do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), liderado por Spínola e chefiado por Alpoim Calvão. Desempenhou funções de embaixador itinerante da contrarrevolução, mas diz que não levava a sério o plano do general para invadir Portugal e reconquistar o poder.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Maria Carlota Álvares da Guerra, por João Paulo Guerra


Estou a olhar as tuas velhas fotografias, mãe, e parece que estou a ouvir-te. Tinhas uma voz fresca, timbrada e bem colocada, com a qual em pequeno me embalavas cantando fados dolentes e, mais crescido, me ensinavas a dizer poemas. A questão, mãe, é que me pediram que falasse de ti e eu vim visitar a memória ao álbum das recordações a preto e branco.

Siza Vieira: «Os arquitectos não inventam, transformam»

Bairro da Bouça, SAAL, Porto
Álvaro Siza Vieira 
entrevistado por João Paulo Guerra,
o diário, 13 de Abril de 1981

         Álvaro Siza Vieira, português, arquitecto, 48 anos de idade [em 1981], é considerado lá fora como «um dos dez arquitectos mundiais da sua geração capazes de transformar a arquitectura numa forma de expressão autêntica», como «um homem acima da moda», cuja obra «não se situa em nenhuma das correntes contemporâneas».
         «Os arquitectos não inventam coisa alguma. Transformam de acordo com as circunstâncias», diz, à conversa com “o diário”, este homem socialmente preocupado e politicamente empenhado na transformação da cidade e que considera a intervenção popular como a base justa e sólida dessa transformação.